Mulheres que amam demais, mulheres que não se amam

“Muitas vezes, o que chamamos de amor intenso pode esconder uma dificuldade silenciosa: a de sustentar a si mesma dentro da relação. A partir de uma leitura psicanalítica, refletimos sobre como certos modos de amar se constroem e se repetem, e de que forma eles se relacionam com a autoestima, os limites e o lugar que cada mulher ocupa em sua própria história",

Natália Almeida

3/1/20262 min read

Não são poucos os casos de mulheres que se perdem de si mesmas por amar demais aos outros. Elas demonstram uma dedicação extrema, de modo que suas rotinas, interesses, e atividades se resumam em servir aos interesses das pessoas com quem se relacionam, o que é exaustivo e extremamente adoecedor.

Em meio às suas constantes tentativas de agradar ao parceiro, esse tipo de mulher sofre por sentir-se constantemente insuficiente e vazia. O que de fato é, em certa medida, verdade, pois quando alguém dedica-se exclusivamente ao outro, passa a existir a partir dele, esvaziando-se completamente de si para sustentar uma existência que não é sua.

Quando, inevitavelmente, o outro se vai, há uma espécie de aniquilamento de quem fica. É como se uma parte sua acabasse, mas no caso, diante de tanta dedicação e autoesquecimento, é real.

Essa dinâmica não aparece apenas em relacionamentos amorosos, mas é comum que apareça em relacionamentos de amizade, de trabalho, e na família de origem.

Mas então, qual seria a solução para deixar de construir relacionamentos que esvaziam e passar a existir de forma inteira, amar de maneira saudável e suportável para si e para o outro?

Como psicanalista, devo desmanchar as suas expectativas quanto à respostas prontas e generalistas. Não há uma forma única e precisa de solução para um assunto tão complexo, embora muito comum às mulheres.

É preciso saber como você conta a sua história, para juntas, elaborarmos um percurso de relacionamento saudável consigo, e consequentemente, com os outros.

Mas posso afirmar com categoria e conhecimento de causa: é possível aprender a se amar, e a amar aos outros de maneira saudável através do recordar e elaborar da sua história.

Freud diz em seu texto clássico de 1914 "Recordar, repetir e elaborar", que, enquanto a nossa história não é recordada em palavras, ela se repete em atos. Mas o que quero dizer com isso? Quero te encorajar a recordar em análise para que a sua história que está guardada no inconsciente não se repita mais em relacionamentos disfuncionais, de alta dedicação aos outros e esquecimento de si.

Que você seja uma mulher inteira, ainda que solteira. Que haja fortalecimento de si para estar com os outros.

Isso é possível, e eu estou aqui para elaborar e sentir com você, cada etapa desta nova história!